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Serviço é voltado para pacientes com dor crônica de várias naturezas, condição que afeta cerca de 45% dos brasileiros
A dor crônica é aquela que persiste por mais de três meses, mesmo após a cicatrização de um tecido ou lesão. Diferente da dor aguda, que é um alerta do corpo para um dano recente (como uma fratura ou infecção), a dor crônica pode continuar mesmo sem uma causa evidente ou após a resolução da causa inicial.
Ela pode ser contínua ou acometer o paciente em determinadas situações e está mais ligada a doenças de base como a artrite reumatoide, fibromialgia, câncer, neuropatias, hérnias de disco e outros problemas de coluna.
A dor crônica pode afetar o bem-estar emocional, causar insônia, ansiedade, depressão e limitar atividades do dia a dia, sendo uma das principais causas de afastamento do trabalho.
Segundo uma pesquisa publicada no Brazilian Journal of Pain, uma média de 45% da população brasileira sofre com dores crônicas, sendo em sua maioria mulheres.
O tratamento geralmente exige uma abordagem multidisciplinar, envolvendo medicamentos, fisioterapia, psicoterapia e, em alguns casos, intervenções como bloqueios nervosos ou estimulação elétrica.
Além de receber pacientes que vêm indicados de outros especialistas médicos como ortopedistas, urologistas, ginecologistas e reumatologistas, a clínica recebe pacientes que dão entrada no pronto-atendimento com queixa de dor.
A clínica também é indicada para pacientes que já passaram por outros especialistas sem sucesso e atende por meio de convênios* e particular.
Mais alarmante nos Estados Unidos, o crescente consumo de remédios opioides desde a década de 1980 trouxe um grave problema para a população que é o abuso da substância, caracterizando naquele país uma verdadeira epidemia. O vício nos analgésicos causa dependência física e psicológica e prejudica a saúde, levando a overdose, depressão respiratória e morte. Do ponto de vista social, isola o indivíduo das relações familiares e compromete seu trabalho e produtividade.
Nos Estados Unidos particularmente, há muitos relatos de riscos financeiros associados ao alto custo dessas medicações levando inclusive à criminalidade, para sustentar o vício.
No Brasil, embora em menor escala, já há inúmeros relatos de pacientes em dependência dessa classe de analgésicos e que necessitam do apoio desta área de atuação da medicina, que trabalha também para eliminar o vício, buscando alternativas menos deletérias.
A Clínica da Dor do Moriah é composta por anestesistas que trabalham com a administração de remédios, procedimentos intervencionistas, como bloqueios e infiltrações e também com alternativas como acupuntura, terapia psicológica, apoio psiquiátrico e fisioterapia, sempre avaliando o paciente de forma multifatorial, evitando efeitos colaterais e buscando a melhor solução para uma vida de bem-estar.

Forma como o paciente com dor é visto tem mudado, para melhor, a partir dos avanços farmacêuticos e dos estudos sobre a dor crônica
Se existe uma coisa que todo mundo conhece é dor. Certo dia, estava com meu filho de cinco anos vendo o álbum de fotos do dia do nascimento dele. Ao ver uma foto dele chorando, logo que saiu da minha barriga, ele me perguntou: “Mamãe, sabe por que eu estava chorando? Porque dói muito nascer!”
Hoje em dia, ao lidar com pacientes com dor penso em como meu filho estava cheio de razão.
Raramente vamos encontrar um indivíduo que não tenha sentido dor ao longo da sua vida, seja forte ou fraca, fugaz ou longa, aguda ou crônica. É quase como dizer que viver dói. Andar sobre dois apoios, ficar sentado por horas, praticar esportes demais, praticar exercícios de menos, envelhecer... Para que o ser humano vai sentir dor em algum momento ou, para uma parcela da população, pelo resto da vida.
No ambiente hospitalar, a dor é vista como um sinal vital. É tão importante quanto a frequência cardíaca, pressão arterial, frequência respiratória e temperatura.
Segundo dados do Ministério da Saúde, quase 40% dos brasileiros sofrem de dor crônica – a dor que persiste por mais de três meses. Além dos impactos pessoais, como perda da capacidade laboral, perda da possibilidade de certas interações sociais, sofrimento físico e psíquico, há uma série de prejuízos econômicos que vão do absenteísmo aos gastos com atendimentos médicos, perícias e até despesas jurídicas.
Felizmente, a forma como o paciente com dor é visto tem mudado, para melhor, a partir dos avanços farmacêuticos e dos estudos sobre a dor crônica.
No ambiente ambulatorial, a dor crônica não é mais um sintoma e sim uma doença. E o paciente com dor crônica deve ser acompanhado da mesma forma que o indivíduo com hipertensão arterial, diabetes ou qualquer outra doença crônica.
Ela é entendida como resultado de alterações complexas no sistema nervoso, que mantêm a sensação dolorosa mesmo após a resolução da causa inicial. Esse novo olhar reforça a necessidade de uma abordagem multidisciplinar para o tratamento, envolvendo não só os medicamentos, mas também fisioterapia, psicoterapia e estratégias de autocuidado. Segundo a International Association for the Study of Pain, a dor crônica é definida como uma experiência sensorial e emocional desagradável – ou seja, bastante individual.
A experiência da dor crônica é tão única e particular, que diferentes pessoas, com os mesmos relatos e condições clínicas, vivenciam níveis variados de intensidade e impacto. Essa variação torna os planos de tratamento bastante personalizados e o médico da dor só consegue um gerenciamento eficaz se estiver aberto para a multidisciplinariedade e até mesmo, às crenças do próprio paciente.
O lado bom é que passamos a entender este paciente. Investigar a causa da dor ou apenas buscar o alívio pode depender muito mais da relação que estabelecemos durante as consultas do que se pensa.
Sem isso podemos até caminhar para a situação em que se encontram países onde a dependência de analgésicos é um grave problema social.
Diante da enorme oferta de analgésicos é importante saber qual é o mais indicado para aquela pessoa e aquela história. Além disso, ser um “médico da dor” é acompanhar cada efeito colateral possível e evitá-lo.
Essa “nova-velha” doença chamada dor precisa de médicos com uma postura flexível, de olho nas novas tecnologias e nas velhas terapias, com uma atitude ativa para caminhar junto com o paciente para uma série de mudanças de hábitos, mas também passivo o suficiente para a escuta. Sempre em busca da integralidade, mas ao mesmo tempo, com acesso à inovação.
Por Carolina Baeta, anestesiologista e médica da Clínica de Dor do Hospital Moriah, diretora de eventos da Sociedade de Anestesiologia do Estado de São Paulo e presidente do Núcleo de certificação em ecocardiografia intra-operatória da Sociedade Brasileira de Anestesiologia. Artigo publicado em 09 de outubro de 2025 na coluna “Letra de Médico”, da Revista Veja. Para verificar o conteúdo na íntegra, acesse: https://veja.abril.com.br/coluna/letra-de-medico/dor-e-um-sintoma-ou-uma-doenca/
Crédito da imagem: GI/Getty Images – Reprodução Coluna “Letra de Médico”, portal Veja (Editora Abril)

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